Morte aos Feios
segunda-feira, janeiro 12, 2004
 
Olá improváveis leitores. Após uns meses conturbados e de confusão cerebral, cá estou de novo.

Hoje gastei o tempo de escrita a tentar reganhar acesso à conta. Já lá vão meses e a memória não ajuda.

Tenho tido oportunidade de ver o novo "A Dois". Parece-me melhor, e por conta dos Enigma e da sua música erótica cheguei tarde ao trabalho. O documentário da BBC sobre o Da Vinci também foi interessante. O programa da Arte e Matemática é que não me disse nada.
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terça-feira, julho 22, 2003
 

Mourinho a Super Homem



Terminei a leitura da epopeica história de José Mourinho até à taça UEFA. O livro assimila-se muito bem e lê-se rapidamente. Questionei-me porquê e encontrei resposta no espaço entre linhas, nas fotografias e margens. O livro é mais pequeno do que parece, embora tenha a louvar o bom gosto gráfico.

Como um verdadeiro herói grego, à moda dos relatos da Odisseia, da Ilíada e já agora dos Lusíadas, José Mourinho percorre um caminho de autosuperação, derrubando implacavelmente cada obstáculo. Este relato seria para mim um verdadeiro testemunho de vontade de poder Nietzscheziana se lá encontrasse a natureza trágica do herói; as falhas e os erros.

Pois é. Mourinho não erra(ou não aceita que erra) e isso menoriza o seu aspecto heróico(que o tem), deixando à vista um ego do tamanho do universo. Por isso o livro fica aquém do ideal nietzscheziano. Não foi o venerado filósofo que disse que o líder é aquele que suporta nos seus ombros o sofrimento e os erros de todos os outros que lhe estão abaixo?

Mourinho nem admite os seus erros. Por isso penso que será um treinador fraco em épocas baixas(que as terá).
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sexta-feira, julho 11, 2003
 

Um Governo Nietzscheziano ?



Pois é, inefável leitor. À primeira vista, como se nos aproximássemos ao longe de uma massa informe que pouco a pouco adquire nitidez, podemos ter a impressão de finalmente estarmos perante um governo em Portugal de cariz puramente Nietzscheziana.

Ora vejamos: É ou não é verdade que este governo entrou em cena afirmando que contra tudo e contra todos levaria para a frente as medidas de que o povo precisa e não as medidas que o povo quer? Logo se me arrebitaram as pouco excitáveis orelhas, pois o venerado filósofo não diria melhor. Não é a mais cristalina verdade que este governo entrou apregoando que incentivaria a busca da excelência pelos nossos nossos empresários nem que fosse à base de choques fiscais(ou seriam eléctricos?). É ou não é uma meridiana certeza que o ministro da recessão(ou será da economia?) disse que os fundos comunitários seriam para os melhores, para os eficazes, para os eficientes, para aqueles que se superam a si próprios?

Pois o que vemos, estimado leitor? Vemos a igreja, o pior dos catalisadores de corrosão, o maior antídoto para o progresso a criar concelhos. Vemos o ministro dos Barcos e Aviões de papel a defender a inscrição da matriz cristã na constituição europeia(queremos voltar aos bórgias?).

Vemos a ministra dos trocos a ceder aos taximetristas, mostrando o que de fraco, doentio e lamentável existe por detrás deste logro de Governo. Vemos o ministro do boxe a ser nocauteado por câmaras de televisão, e o ministro José luís 4L entontecido por vapores de vinho do douro.

Estimado leitor, não precisarei concerteza de falar do grande estadista Perene do Barroso que exerce a sua elevada ética de vontade de poder abrilhantando as botas de guerra do macaco que perdeu as eleições nos Estados Unidos.

Continuamos a precisar de subir a montanha, com a águia e a serpente como companheiros; oh cansaço e vontade de vida. Oh força criadora de novos valores!

Mas eles não sabem que o Governo morreu?
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quinta-feira, julho 10, 2003
 

Pode um homem ?



Pode, pergunta o meu hipotético leitor, um homem produto desta cultura mediterrânica, judaico-cristã, algum dia aspirar à vontade de poder, como a preconiza o nosso venerado filósofo?

Outra pergunta: terá o chamado atraso estrutural de Portugal alguma coisa a ver com esta configuração mental advinda da citada cultura?

Sem dúvida, de uma assentada, Antero de Quental - em Causa da Decadência dos Povos Peninsulares, o venerado filósofo em O Anticristo e Max Weber, com a sua Ética protestante e o espírito do capitalismo vêm responder positivamente a esta segunda questão. Poderíamos a estes acrescentar David S.Landes no seu A Riqueza e a pobreza das Nações, este no entanto bastante impregnado das ideias de Max Weber.

Todos estes autores invocam a ética judaico-cristã como a fonte remota do atraso dos países mediterrânicos: A visão do trabalho como um mal necessário, o nivelamento pelo medíocre(dos pequenos será o reino dos céus), o poderio petrificante e retrógrado da igreja (lembremo-nos que Galileu foi perdoado pela Igreja em 1992) que é extremamente avesso ao saber - que deita por terra os seus dogmas.

Tivessemos nós a capacidade de eliminar a influência do clero na sociedade, que permanece bem viva - vide a criação do concelho de Fátima - e poderíamos assegurar que o rumo seria outro?

Respondendo à primeira pergunta, e falando por mim, creio ser um trabalho muitíssimo áspero mudar o ser a esta gente. Já diz o venerado filósofo que para se atingir a vontade de poder teremos que passar por três fases: aquela em que carregamos os velhos valores; a seguinte na qual os desafiamos e uma terceira na qual atingimos a mente livre de preconceitos, tal qual uma criança que se questiona sobre tudo sem barreiras mentais.

A autocomiseração nacional, a atracção pela morbidez, o ansiar pelo fim de semana, pelas férias e pela reforma para não ter que trabalhar, assim como outros males, são heranças directas da ética judaico-cristã. No entanto as partes boas dessa ética estão a ser substituídas por um egoísmo atroz e por um materialismo desmedido. A hipocrisia moral, essa permanece e os seus maiores praticantes usam batina.

Quem quiser seguir a ética nietzscheziana, a da vontade de poder, essa vontade criadora de novos valores e de sabedoria, terá de cumprir o destino trágico anunciado pelo venerado filósofo, a começar pela incompreensão e boicote por parte dos guardiões que vão na barca dos velhos valores.

«Os espíritos fortes procuram valores, os espíritos fracos procuram crenças» - o venerado filósofo.


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segunda-feira, julho 07, 2003
 

Os novos Sofistas



Custa-me ver estes novos sofistas. Crianças sem jeito brincando com as palavras, fazendo pequenos jogos. Com os olhos postos na suprema fonte de inteligência - a cultura anglo-saxã, eles traçam eloquentes frases com a precisão da aterragem de uma mosca numa montanha de lixo. Querendo pertencer a uma elite, reunem-se num pequeno bando trocando as suas pequenas gracinhas e massagens de ego. Oh, suprema pose!

Como os velhos sofistas, estes charlatães nada fazem para se afundar na realidade: resolvem tudo com meia dúzia de cultos e alinhados termos. Movem-se num firmamento que às pessoas reais escapa. O seu pequeno mundo termina às portas de Benfica.

Quando nascerá nestes inúteis a vontade de poder que nos levará a questionar toda esta situação? Quando sujarão as suas bem exercitadas mãozinhas(eles o dizem) para escrevinhar uma ideia com base de sustentação para influir na realidade?

Quando se decidirão estas miragens a serem implacáveis contra os espíritos fracos que nos enegrecem os dias? Ou farão eles parte do mesmo monte de estrume? Ou estarão eles à espera do beneplácito de quem puxa os fios?

Está na altura de sermos exigentes!
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quinta-feira, julho 03, 2003
 
« Haví­amos-nos tornado tristes, chamavam-nos fatalistas. A nossa fatalidade, - era a plenitude, a tensão, o surgir das forças. Tí­nhamos sede de relâmpagos e de actos; conservamo-nos o mais longe possí­vel da felicidade dos fracos, na «resignação»...A nossa atmosfera estava carregada de tempestade, a nossa própria natureza nublava-se - pois não tínhamos rota alguma. Eis a fórmula da nossa felicidade: um sim, um não, uma linha recta, uma finalidade.»

Friederich Nietzsche - O Anticristo
Filofe sobre o post acima:

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